A antecipação dos piores cenários, a começar pela insolvência do cliente, faz parte de uma boa gestão do risco de crédito. E quando os riscos se concretizam, a situação pode rapidamente tornar-se perigosa sem a análise de risco de crédito e proteção adequadas.

Neste artigo, descubra o que é o risco de crédito, como conduzir uma avaliação do risco de crédito e os melhores processos de mitigação a seguir.

Sumário

  • Conhecer e saber com quem está a lidar é fundamental: certifique-se que avalia a solvabilidade do seu cliente e negoceie condições de pagamento dos créditos de forma clara e adequada.
  • Estabelecer limites de crédito com os seus clientes é outra boa prática: o montante de crédito que concede não deve ultrapassar um determinado limite.
  • Definir um processo interno claro de acompanhamento das faturas em atraso acelera a recuperação de dívidas e limita as perdas.
  • O seguro de crédito protege a sua tesouraria contra insolvências imprevistas, cobrindo os prejuízos resultantes do não pagamento.

Aqui está uma definição de risco de crédito: atraso ou falta de pagamento de um crédito comercial concedido a um cliente motivado pela sua incapacidade financeira para pagar as suas dívidas. É um risco essencial a ter em conta como parte da gestão do risco comercial se vender com condições de crédito. 

O risco de crédito resume-se essencialmente a uma situação: quando um cliente se encontra em situação de insolvência, declarada judicialmente ou não, e e já não é capaz de honrar os seus compromissos, especialmente para com os seus credores.

A insolvência de empresas pode ter origem em vários fatores, desde a má gestão do fluxo de caixa até ao fracasso financeiro dos clientes ( efeito dominó) ou despesas excessivas. Por conseguinte, é necessária a realização de avaliações precisas do risco de crédito a fim de proteger a sua empresa..

Quando um cliente se torna incapaz de cumprir as suas obrigações vencidas, encontra-se em situação de Insolvência e pode ser objeto de um processo de natureza falimentar  e de recuperação de empresas, que tem por  objetivo  ajudar a empresa a regularizar as suas dívidas e a manter a  sua atividade.

Dependendo do país, os processos de natureza falimentar a podem assumir várias formas e incluir diferentes fases: reestruturação interna, nomeação de um administrador, renegociação da dívida com os credores, etc.

É no âmbito destes processos judiciais que se pode reclamar  o pagamento de um crédito

O objetivo final é evitar a liquidação  da empresa, que ocorre quando os seus ativos já não são suficientes para regularizar todo o passivo.

Agora que já abordámos a definição de risco de crédito, vamos analisar os casos que são mais difíceis de antecipar e que devem fazer parte da sua análise de risco de crédito.

Por exemplo, concedeu um crédito comercial a um cliente que dissimula os documentos contabilísticos para omitir  elementos-chave da sua situação comercial ou financeira. As suas contas foram adulteradas e não refletem a sua capacidade de pagar quando o pagamento é devido.

Este comportamento será frequentemente o resultado de um trabalho da gestão ou da equipa executiva, já que são as  pessoas em posição de “manipular os livros de contabilidade”.

A manipulação contabilística pode ir tão longe quanto  à simulação da própria situação de insolvência: permitindo  aos gestores estruturar a liquidação da empresa através de operações fraudulentas, através da ocultação de ativos, do  aumento fictício ou ruinoso do passivo, entre outras ilegalidades...). Por vezes, a o recurso aos mecanismos legais, como a declaração de insolvência,  pode ser uma "estratégica" para atingir fins ilegítimos.

O objetivo é obter acordos para redução  da dívida da empresa ou desvincular-se de obrigações contratuais assumidas , por exemplo, com fornecedores cujos créditos ainda não estão vencidos.

A fraude também é por vezes praticada por terceiros, como no caso de fraude de "fornecedor falso" / usurpação de identidade: um hacker aproveita o período de pagamento concedido ao seu cliente no âmbito de um crédito comercial para roubar a sua identidade e substituir os dados bancários pelos seus.

Outras vezes, a transação em si é pirateada, muitas vezes quando o método de pagamento não é seguro. Tecnologias cada vez mais sofisticadas de cyber-fraude estão a tornar este tipo de fraude mais frequente e mais difícil de prevenir.

Calcular o risco de crédito de um cliente passa por analisar o seu perfil de risco com base em dados financeiros concretos: volume de negócios, histórico de pagamentos, nível de endividamento e capacidade de gerar fluxo de caixa. Quanto mais completa for esta informação, mais fiável será a avaliação.

As instituições financeiras recorrem habitualmente a modelos de scoring que atribuem uma pontuação ao devedor, combinando variáveis quantitativas e qualitativas. Uma empresa com dívidas superiores a 80% do seu ativo ou com atrasos recorrentes nos pagamentos apresenta, regra geral, níveis de risco significativamente mais elevados.

Para uma PME, o ponto de partida prático é consultar relatórios de crédito disponíveis no mercado — como os emitidos por agências de notação de risco — e cruzar essa informação com o comportamento real do cliente na sua carteira de crédito. O Banco de Portugal, através da Central de Responsabilidades de Crédito, disponibiliza dados agregados que permitem avaliar a exposição total de um devedor junto do sistema financeiro.

No caso de insolvência de um cliente, deve recorrer a um advogado e/ou acautelar que são seguidos todos os trâmites legais aplicáveis à reclamação e verificação do seus crédito. A sua estratégia de gestão do risco de crédito deve basear-se num conhecimento profundo da legislação em vigor no país.

Antes de mais, precisa de conhecer a sua posição como fornecedor em termos de pagamento de dívidas - outros credores incluem geralmente empregados, bancos, autoridades fiscais, etc.

Alguns credores podem também ter negociado um direito preferencial ao pagamento (credor preferencial) ou garantido o seu empréstimo através de um ativo colateral (credor garantido).

A legislação  comercial substantiva e processual é  complexa e varia  de um país para outro. Deve recorrer a advogados especializados para obter informações sobre as possibilidades de acionamento judicial para fazer valer os seus direitos e recuperar o seu crédito.

As pequenas empresas muitas vezes não dispõem de recursos internos para gerir o crédito malparado em caso de dificuldades. 

Como diz o velho ditado, “mais vale prevenir que remediar”. A análise regular do risco de crédito é fundamental, assim como o gerenciamento de risco. Deve, portanto, estabelecer um processo forte e equilibrado de gestão do risco de crédito dentro da sua empresa antes de se envolver no crédito comercial e manter um registo da sua tesouraria

Conhecer e saber com quem está a lidar é fundamental: certifique-se que avalia a solvabilidade do seu cliente e negoceie  condições de pagamento dos créditos de forma  clara e adequada. Pode também desenvolver processos internos sólidos de mitigação do risco de crédito para evitar e  pagamentos em atraso.

Estabelecer limites de crédito com os seus clientes é outra boa prática: o montante de crédito que concede não deve ultrapassar um determinado limite. Os métodos comuns de cálculo dos limites de crédito dos clientes incluem:

·        Fixação de uma percentagem do património líquido do cliente (os seus ativos menos as suas responsabilidades), normalmente cerca de 10%.

·        Utilizar as referências comerciais anteriores do cliente (que normalmente podem ser encontradas no seu relatório de crédito) e escolher um valor mediano entre o seu histórico de crédito.

·        Estimar as necessidades reais do seu cliente e não ir mais além.

Outra opção de mitigação do risco de crédito é assegurar que tem sempre uma reserva de liquidez para utilizar em caso de emergência.

Contudo, a gestão do risco de crédito não é, por vezes, suficiente para proteger o seu negócio. O seguro de crédito  continua a ser a abordagem mais fiável para proteger o seu fluxo de caixa contra o  risco de insolvência dos clientes e limitar consideravelmente  perdas resultantes de tais incidentes de risco de crédito imprevisíveis – através do apuramento dos prejuízos cobertos e do processamento  de uma indemnização.

 

Uma avaliação rigorosa do risco de crédito exige acompanhar cada cliente ao longo de todo o ciclo de vida do crédito — desde a concessão até ao reembolso final. Não basta analisar o perfil financeiro no momento inicial.

As unidades de negócios devem integrar indicadores como o spread de crédito, a taxa de esforço e o rácio de endividamento numa monitorização periódica e estruturada. A conformidade com os requisitos regulatórios — cada vez mais exigentes face à instabilidade geopolítica atual — impõe também que esta avaliação contemple fatores externos capazes de afetar a capacidade de pagamento dos clientes.

A classificação dos níveis de risco de crédito organiza os devedores em categorias que refletem a probabilidade de incumprimento. Na prática, as agências de notação atribuem ratings que vão do grau de investimento — considerado seguro — até ao grau especulativo, onde o risco de perda é substancialmente mais elevado. 

Esta hierarquização permite tomar decisões objetivas: um cliente classificado como risco baixo pode beneficiar de prazos de pagamento mais alargados, enquanto um cliente de risco elevado justifica limites de crédito mais reduzidos ou condições de pagamento mais restritivas.

A notação de risco não é estática. Uma empresa que hoje apresenta bons indicadores financeiros pode ver a sua classificação degradar-se em poucos meses devido a choques externos, como a perda de um cliente estratégico ou uma contração do mercado. Rever regularmente estas classificações é, por isso, uma prioridade operacional para qualquer gestor de crédito.

Um dos principais benefícios da gestão de crédito é a capacidade de ter uma visão clara das finanças da sua empresa, o que permite evitar riscos de crédito desnecessários e aproveitar oportunidades de negócio.

  • Proteção da tesouraria: garantir que as entradas de tesouraria são sempre superiores às saídas, para que possa pagar as suas faturas e remunerar os colaboradores no momento certo, contribuindo para manter a tesouraria saudável.
  • Reduzir o número de atrasos de pagamento ao detetá-los mais cedo e evitar dívidas de cobrança duvidosa, diminuindo assim a probabilidade de um incumprimento afetar o seu negócio.
  • Aumentar a liquidez disponível para a atividade corrente.
  • Recuperar dívidas de forma mais rápida e completa.
  • Melhorar o DSO (Days Sales Outstanding) da sua empresa, ou seja, o prazo médio de recebimento dos clientes.
  • Identificar oportunidades e libertar fundo de maneio para investimentos críticos que sustentem o crescimento estratégico.
  • Ajudar a planear e a analisar o desempenho, permitindo preparar orçamentos para os anos seguintes.
  • Transmitir confiança a potenciais financiadores que possam apoiar os seus planos de expansão.

Saiba mais sobre a gestão de crédito e como podemos ajudá-lo.

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A Allianz Trade é líder global em seguro de crédito e gestão de crédito, oferecendo soluções personalizadas para mitigar os riscos associados a incumprimentos, garantindo assim a estabilidade financeira das empresas. Os nossos produtos e serviços ajudam as empresas na gestão de riscos, gestão de fluxo de caixa, proteção de contas a receber, cauções, seguro contra fraudes empresariais e processos de cobrança de dívidas, assegurando a resiliência financeira dos negócios dos nossos clientes. A nossa experiência em mitigação de riscos e finanças posiciona-nos como consultores de confiança, permitindo que as empresas que aspiram ao sucesso global se expandam para mercados internacionais com confiança.

O nosso negócio é construído com base no apoio às relações entre pessoas e organizações, relações que se estendem através de fronteiras de todo o tipo - geográficas, financeiras, industriais e outras. Estamos constantemente conscientes de que o nosso trabalho tem um impacto nas comunidades que servimos e que temos o dever de ajudar e apoiar os outros. Na Allianz Trade, estamos fortemente comprometidos com a equidade para todos, sem discriminação, entre os nossos próprios colaboradores e nas nossas muitas relações com aqueles fora do nosso negócio.